Entrevistador - Senhor, seu visto foi negado.
Eu – Mas por quê?
Entrevistador - Sem perguntas.
Confesso que, na maioria das vezes em que me imaginei tentando tirar o visto para os EUA, a coisa fluia mais ou menos como no diálogo acima. No entanto, saí do mundo da imaginação na última sexta-feira, dia 4, e fiz a minha entrevista no Consulado Americano em Recife (PE). O diálogo durou, EU JURO, MENOS DE UM MINUTO, e terminou como eu queria:
Entrevistador – Senhor, seu visto foi aprovado. Agora é só passar na fila do Sedex.

Fila na frente do Consulado Americano para a retirada de visto. A foto é pequena, mas dá para ter uma noção / Foto: Luce Pereira/Especial para o Diário de Pernambuco
Minha intenção com este post é simples: dividir a agonia, contar o que vivi lá no Consulado e passar algumas dicas que aprendi durante o processo de busca pelo visto. Antes de mais nada, se puder ir com alguém, vá. É muito mais reconfortante ter com quem dividir esses momentos, acredite. Mas acompanhantes não entram com você se não forem solicitar o visto também.
Outra coisa: só há Consulados dos EUA em Recife (PE), Rio (RJ), São Paulo (SP) e Brasília (BSB). O lugar com mais datas e horários disponíveis, em geral, é Recife. São Paulo está sempre lotado e em Brasília e no Rio, quase sempre é possível encontrar vagas com 30 ou 45 dias de antecedência.
O AGENDAMENTO
Todo o processo começa quando você acessa o site do Consulado Americano no Brasil: www.visto-eua.com.br Confesso que não tenho muita paciência com instruções, mas fiz o básico e deu certo. Inicialmente, clique em ‘Informações e Agendamento’, depois clique no ‘aqui’ da opção ‘Para saber como efetuar o pagamento da taxa de informações e agendamento’ e escolha sua forma de pagamento.
A taxa custa R$ 38 e pode ser paga no cartão de crédito, com débito em conta e no boleto bancário. As duas primeiras opções permitem que você agende imediatamente uma data. No caso do boleto, você vai precisar esperar a confirmação do pagamento, etc. Coisa mais antiga, né? Pague no cartão de crédito e acumule pontos para trocar por milhas, que é melhor. rsrsrs
Um alerta: se você precisar mudar a data, vai ter que pagar de novo a taxa. Aconteceu comigo e com Octávio, meu companheiro de jornada. Se não quiser perder essa grana, tente marcar numa data em que você realmente possa ir.
O FORMULÁRIO
Antes de viajar você precisa preencher um formulário chamado DS-160. Ele foi reformulado recentemente, mas o básico eles não fizeram: traduzir as perguntas para a língua portuguesa. Sendo assim, gaste seu inglês ou peça ajuda a alguém para entender algumas questões.
Você nem precisa ter seu agendamento feito para começar a preencher o formulário, ele independe disso. O bacana é que, antes de enviar para a embaixada através do site (o que é feito ao final de tudo, quando você insere sua foto digital), você pode entrar e sair dele várias vezes, ir preeenchendo aos poucos. Então guarde seu código, que é gerado quando você entra, e preencha as questões no seu tempo.
De qualquer modo, eles pedem bastante informação sobre seu processo de ida e retorno, onde você vai ficar, por quantos dias, números de voos, etc. Nem todas essas informações são obrigatórias, mas, se você as tiver, melhor.
As coisas que mais fiquei em dúvida foram:
- Tipo de visto solicitado: no meu caso, turismo, pedi o B – temporary business pleasure visitor, e a especificação foi a B2 – tourism/medical treatment. Preste bem atenção a isso porque, se você errar, acabou-se o que era doce.
- Ponto de contato nos EUA: você tem que dar essa informação, mesmo não conhecendo absolutamente NINGUÉM no país. Neste caso, você omite o nome da pessoa e diz, por exemplo, o hotel em que se hospedará. Eu ia colocar Beyoncé, mas acho que eles não iam gostar, né? rsrsrs
Seja honesto nas respostas, mas se houver coisas que vão complicar sua vida, pense no que pode ser melhor. No meu caso, pretendo ir ao Festival Coachella 2012, na Califórnia. É um festival de música no Deserto do Índio, ali nas proximidades das três cidades que quero visitar: Los Angeles, Las Vegas e São Francisco.
Acontece que, nesse lugar, não há hotel, a gente tem que alugar casa. Além disso, escolhemos ir de carro de Los Angeles pra lá. Imagine explicar isso tudo no formulário. Confuso, né? Melhor ser mais sucinto e dizer: vou pras cidades X, Y e Z e ficarei nos hotéis A, B e C. Não se trata de mentir, mas de simplificar.
Ao final, há um monte de perguntas objetivas tão absurdas que dá vontade de rir: você é terrorista? Já praticou tráfico de seres humanos? Pretende atacar os EUA? Hahahaha…
A DOCUMENTAÇÃO
Eu reuni TUDO o que pude e sabe o que eles me solicitaram? NADA! Isso mesmo: NADA! Ok, eu posso ter tido sorte, mas vai que o entrevistador resolve te pedir algo, não é? Sendo assim, vai uma listinha básica de tudo o que providenciei:
- Passaporte válido e com mais de 6 meses;
- Foto 5x7cm ou 5X5cm;
- Documentos originais: Identidade, CPF, Carteira de Reservista do Exército, Título de Eleitor
- Impressão do documento de comprovação de envio do formulário DS-160
- Comprovante de pagamento da taxa do Citibank (falo sobre isso mais adiante)
- Contracheques dos últimos seis meses
- Extratos da conta bancária nos últimos 3 meses
- Comprovante de residência (levei o do cartão de crédito)
- Declaração do Imposto de Renda original
- Certificado de Conclusão da Universidade (ou diploma)
- Contrato de trabalho
- Carteira de trabalho
- Declaração da chefe informando do meu vínculo empregatício e o período de férias durante o qual pretendia viajar
- Comprovantes de compras de passagens aéreas e hospedagens
Não sou muito precavido financeiramente, mas se você tiver uma poupança no banco, leve um extrato também. Uma das coisas mais importantes é provar que você pode pagar pela viagem. Ter um emprego conquistado pela via do concurso público também pode ser bem útil! É praticamente certa a aprovação se você é empregado concursado. Se possuir bens em seu nome, tiver filhos ou for dono do seu próprio negócio, comprove. Isso também ajuda muito.
TAXA DO CITIBANK
Antes da entrevista é preciso ainda pagar uma taxa de U$S 140 no Citibank. Nós optamos por chegar a Recife um dia antes da entrevista para providenciar esse pagamento com calma. Fomos ao Citibank, que fica no Centro de Recife, bem ali do ladinho do famoso Marco Zero, e fizemos o pagamento tranquilamente apresentando o passaporte e a identidade, que nem foi solicitada.
No dia em que fomos a taxa custou R$ 266. Salgadinha, considerando que eles cobraram R$ 1,90 no dólar. O comprovante desse pagamento deve ser apresentado na fila, ainda do lado de fora da Embaixada, junto com a foto 5x7cm e o comprovante que você imprimiu ao concluir o envio do formulário DS-160. Importante: guarde esse comprovante depois de tudo porque ele garante desconto na compra de dólares em agências do Citibank.

Canhoto da taxa do Citibank. Guarde se quiser comprar dólares com desconto em uma das agências deles / Foto: Rodrigo Rocha
NO CONSULADO
Chegue um pouco antes do horário agendado para sua entrevista e leve um guarda-sol. Sério: o calor na porta é inexplicável. Tem gente vendendo guarda-sol lá na hora por R$ 20 ou alugando por R$ 10. Eu comprei um e, durante a entrevista, com o nervosismo, acabei esquecendo o treco lá. Melhor alugar, então.
Objetos - Essa história de que não pode entrar com bolsa, mochila e coisas assim é balela. Pode. Mas não pode entrar com eletrônicos, inclusive celular, nem com isqueiros ou coisas que produzam fogo.
Do lado de fora - Os funcionários verificam se você está com a foto 5x7cm, os comprovantes do Citibank e do formulário DS-160 em mãos. Eles grampeiam tudo e você segue na fila.
Entrando – você mostra seus documentos grampeadinhos, entra e passa pelo detector de metais. Antes de sentar num lugar menos quente (com ventiladores) e coberto, você entrega esses documentos grampeados e seu passaporte aos recepcionistas que vão te chamar. Eles te dão uma senha e, a partir daí, a coisa melhora.
Esperando - enquanto estiver sentado, chame um atendente ou espere que ele vá até você. Compre dele um envelope Sedex por R$ 1,90. Esse envelope será usado pela Embaixada para devolver o seu passaporte. Caso seu visto seja aprovado, eles ficam com o passaporte em mandam de volta em até 10 dias corridos. Você será convidado a pagar a taxa de Sedex lá mesmo se correr tudo bem na entrevista. No caso do Sedex para minha casa, aqui em Aracaju (SE), a taxa foi de R$ 19,80.
Instruções – antes de entrar para a entrevista propriamente dita, você será orientado sobre como proceder lá dentro. Primeiro, entre e busque um assento. Não vá ao banheiro para não ser chamado e não encontrado. rsrs A chamada das senhas é aleatória, ou seja, fique atento de verdade aos monitores na parede.
Se for friorento, leve um casaquinho porque lá dentro o ar-condicionado BOMBA! Espere seu número ser chamado para o Box 1, onde você coloca suas impressões digitais (primeiro os 4 dedos da mão esquerda, depois os 4 da direita e depois os dois polegares juntos). Em seguida, aguarde ser chamado para a entrevista e boa sorte!
Meu agradecimento especial a @lauroaugustos, que ficou comigo pacientemente por duas horas na frente do computador tirando minhas dúvidas e a Marcel, cunhado do Octávio, que nos deu abrigo enquanto estivemos em Recife. =)
ATUALIZAÇÃO INDICADA PELA AMIGA @dittacuja: Estados Unidos querem acelerar emissão de vistos para brasileiros
FICA A DICA:
Quando for pagar a taxa do Citibank, se tiver tempo, dê uma volta pelo Centro do Recife. Com o calorão de meio-dia e a fome apertando, dei um giro rápido por lá e vi coisas legais como o Marco Zero, a Torre Malakoff, a praça do Arsenal da Marinha (onde acontecem programações culturais), a Igreja da Madre de Deus e o Paço da Alfândega, onde funciona um shopping bem legalzinho. Sugestão: almoce no Sushimi, que fica dentro do Paço. O cardápio é bem variado, os preços são excelentes e a comida deliciosa!

Eu e Octávio em frente à Torre de Cristal, que fica em frente ao Marco Zero e para onde é possível ir de barquinho / Foto: Rodrigo Rocha

Depois de pagar sua taxa no Citibank e dar uns voltas pelo Centro, uma boa dica é almoçar no Sushimi, dentro do Paço Alfândega. O prato da foto custou R$ 29 e estava delicioso! / Foto: Rodrigo Rocha
Abraços,
@rod_rocha
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