A partir de hoje vamos publicar uma sequência de quatro posts sobre Madrid, intitulados Pílulas de Madrid, e escritos especialmente para o AGV pela produtriz de vídeos Mariana Hirsch, uma baiana arretada, atualmente morando em São Paulo e apaixonada por um espanhol e as coisas da Espanha. Além de leve e divertido o texto da pílula 1 dá uma ótima dica: conhecer a cidade a partir de seus bares e culinária. Vamos viajar com Mari?
Abraços,
@rod_rocha
@agenteviaja
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Aí você chega em Madrid e se pergunta: o que fazer neste fim de tarde, numa cidade que mal conheço?
Resposta: vai tomar uma caña!
Não é tão simples quanto parece, nem coisa de bebum também! É uma boa maneira de “sentir” a cidade, entender como funcionam as coisas, dar um “relax” e eu tô aqui justamente para explicar o modus operandi do que pode ser considerado um ritual em terras espanolas!
O que é uma caña pelamordedeus??
Lição número um: caña, na verdade, é o nome do copo onde servem o chopp e, de tamanho, equivale ao garotinho brasileiro. É leve, geralmente muito bem tirada e você bebe em dois tempos.

Mari explica pra gente o que é uma caña / Foto: Mari Hirsch
Então você sai andando e entra no primeiro bar que aparece na sua frente. Pode ser um bom exercício! Vamos lá, encosta no balcão e pede uma caña, por favor. Em trinta segundos o barman coloca um copo cheio na sua frente e, em seguida, um prato com um pedaço de pão e umas coisinhas por cima.
Aí você já vai dizendo: êpa! Mas eu nao pedi nada disso aqui, não, meu senhor! Ele vai te olhar com uma cara meio de quem não entendeu nada e seguir com seu trabalho servindo cañas e… TAPAS. Ploft! (Hahaha! Calma, que aqui tapa nao é um bofetão. São pequenas entradinhas para acompanhar a bebida).
Lição número dois: em Madrid e outras cidades do centro e sul da Espanha, as cañas vêm acompanhadas de tapas ou pinchos (aperitivos). Podem ser azeitonas (geralmente muito boas), conservas, jamón (presunto), tortilhas, pescados, mexilhões, pastas, batatas fritas e o que ocorrer e são cortesia. Sim, de graça. Aí aproveito o gancho para uma informaçao útil de etiqueta e uma pequena explicação sociocultural.

Em Madrid e outras cidades do centro e sul da Espanha, as cañas vêm acompanhadas de tapas ou pinchos (aperitivos)/ Foto: Mari Hirsch
Se estiver bebendo com um espanhol e servirem azeitonas, nunca coma a última azeitona do pratinho. Ninguém aqui come a última azeitona, é falta de delicadeza… Hehehe.

Não coma a última azeitona!
/ Foto: Mari Hirsch
Na Espanha, culturalmente, os bares dão tapas de cortesia para quem entra para beber alguma coisa (pode ser coca-cola também). Isso é algo que só funciona lá. Existem também bares onde o tapa é pago e ficam geralmente em pontos muito turísticos. Outra diferença que existe é regional. Por exemplo: no País Basco não se chamam tapas, são pinchos e são sempre pagos.
Enfim, os bares então se esmeram para fazer tapas maravilhosos porque isso garante a volta do cliente que, consequentemente, bebe mais para comer mais tapas. Eles vão ao bar “tal” tomar uma caña porque sabem que os tapas são muito bons e isso garante a frequência de alguns clientes por aaaanos a fio. E olha que estamos no velho mundo e num país de gente muito velha, então nao é difícil de acreditar que tem gente que frequenta o mesmo bar há cinquenta anos, né?
Bem, voltando. Aí, quando você se dá conta de que vem uns comes quando você pede uma caña, seu sorriso se abre e você cria raízes no balcão e pede mais uma, duas, três cañas e lá vem mais um montao de tapas! Oba! Nesse momento te digo, caro(a) amigo(a), nãããão!
Lição número três: não tome mais de duas cañas no mesmo lugar! Faça isso somente se você tiver muita barriga e disposição e, somente se os tapas forem muuuito bons! Caso contrário, pula pro próximo bar!
A partir daí começa a peregrinação pelos bares em busca de cañas e bons tapas! Isso mesmo! Por isso que falei que essa era uma excelente maneira de se conhecer a cidade, os espanhóis, os melhores bares, o clima, os melhores tapas, e tudo mais!
A tradição aqui é essa, rodar a cidade em busca de bons tapas, porque em geral as cañas são muito boas em qualquer lugar. A noite é longa e você tem que ter muita força de vontade e dedicação para passar do quinto bar! Te digo por experiência própria!
E logo vem as dicas pro post: não é fácil descobrir os melhores bares com os melhores tapas e que não sejam para “guíris” (g-u-í-r-i-s mesmo! É a gíria que os espanhóis usam para se referir aos turistas de língua inglesa ou alemã, tipo gringo no Brasil). Aí vão algumas:
1. Nem sempre o mais bonito é o melhor. Aqui, geralmente o mais simples ou com aparência ralé é o mais tradicional e, consequentemente, dos melhores.

Tour pelos bares de Madrid é uma forma tradicional de conhecer a cidade / Foto: Mari Hirsch
2. Falando em aparência, é muito comum ver os bares com um monte de gaurdanapos no chão, perto da “barra” (balcão), mas isso se deve à grande rotatividade de pessoas que passa pelo bar e nem sempre acertam o cesto de lixo!
3. Vá mesmo onde tem mais gente com cara de local! Se está cheio é porque a coisa é boa mesmo (experiência própria).

Prefira os bares mais tradicionais / Foto: Mari Hirsch
4. Não se assuste com multidões. Geralmente os bares de tapas ficam lotados e as pessoas ficam mesmo é no balcão, mas a bagunça é super organizada (enfrente a primeira leva de gente sem medo) e o atendimento é bem rápido!
5. Não leve um milênio para tomar a sua caña e comer o seu tapa. Como você pode perceber o bar está cheio, a rotatividade tem que ser grande e você ainda tem muitos outros bares para ir! Entao seja “listo” (rápido/preparado)!

Os bares estão sempre cheios na cidade / Foto: Mari Hirsch
6. Esteja preparado para alguns bares onde os tapas são pagos. Geralmente nos bares de pontos muito turísticos, mas não fique triste e não se arrependa, os tapas vem em quantidade maior e são muito bons! Valem o investimento!
7. Em todos os bares os tapas, pagos ou não, ficam em exposiçaão no balcão e, em alguns onde são dados de cortesia, você pode escolher!.

Foto: Mari Hirsch
No mais é cair no embalo e aproveitar! A Espanha é um país muito caloroso e cheio de tradições interessantes!
Veja o outro post da nossa convidada aqui no AGV >> Mariana Hirsch: “on the road” pela América do Sul.
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